sábado, 15 de junho de 2013

EDITORA PERSPECTIVA MILÉSIMO TÍTULO

Chega às livrarias milésimo título da editora Perspectiva, que segue focada na vanguarda
PAULO WERNECK
DE SÃO PAULO
Um jovem editor arrecada dinheiro para lançar uma série de livros. Vende mil coleções antes de imprimi-las e funda uma editora decisiva na cultura brasileira. Crowdfunding, uma vaquinha na internet? Cooperativismo editorial?
Seria isso, se a história não tivesse começado em 1965, quando Jacó Guinsburg, paulistano nascido na Bessarábia em 1921, lançou a coleção Judaica, o marco zero da editora Perspectiva, que fez a cabeça de fornadas inteiras de universitários brasileiros.

Em plena ditadura, um grupo de intelectuais reunidos em torno de Jacó e sua mulher, Guita, realizou a proeza de renovar a bibliografia das ciências humanas, lançando modas intelectuais como a semiótica e um novo jeito de fazer livros no Brasil.
De quebra, trouxeram ao debate brasileiro quadrinhos, MPB, drogas e outros temas que eram tabus até para as cabeças mais esclarecidas.
Começava-se a virar a página do velho modelo de editor brasileiro, de perfil missionário e obrigatoriamente esquerdista, para um tipo de edição universitária "clean", de inspiração europeia, que hoje repercute em editoras como a 34, a Cosac Naify e a mineira Autêntica.
Chega às livrarias, 48 anos depois do primeiro, o milésimo título da editora: "Coisas e Anjos de Rilke", de Augusto de Campos. Seria injusto tratá-lo como mera reedição: o concretista acrescentou 70 novas traduções e voltou a outras 60, além dos ensaios críticos incluídos no volume. / REPORTAGEM FOLHA DE SÃO PAULO- ILUSTRADA.






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